Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Manifesto retornável

Depois de algum tempo na inércia inconsequente dos tempos de professor obsoleto, obtuso, oblíquo e omisso, retorno à blogosfera para continuar fazendo nada. Nada sobre nada, e é isto que me consome, que me consola, que me conduz. Fazer o nada, a antipoesia, a maldição poética dos nossos novos tempos, fazer o que se deve e o que não deve, desfazer e desfazer-se. desfazendo-nos na ignorância terrivel da vida humana.
Prefiro fazer ouvir sambas, sobre nadas e infinitos. Humanos são muito humanos. Poesias são muito poesias e as escolas seguem recapitulando, recapiando, ratificando as palavras do Mário, o de Andrade macunaímico, de que a escola é apenas a pena na imbecilidade de muitos e o orgulho de poucos, é nada, nada vezes nada ao quadrado. e ficamos assim, cada um no seu quadrado, ainda que o quadrado seja um só, na igualdade absurda e adstringente.
Vou fazer um samba antipoético, propagar a antipoesia, a antiarte, a antihumanidade, e fodam-se todos os ismos, lirismos. Eu sou egoísta, eu sou ego, antiartista. Não venha me dizer que estou enganado, que eu estou por fora. Estou in e estou out, EU SOU IN E OUT, dentro e fora, centro-centripeta-centrifuga. Eu sou o que sou e vou mudar, pra melhor ou pra pior. E não quero nem saber.
Poesia é um estado de alma, de raiva, de amor, de revolta, de devassidão. Poesia é nada. E nada é tudo.
Poesia = falta do que fazer = picaretagem = poetas falidos = prolixidade = nada x nada.
Poesia = manifesto = devassidão = tudo x tudo = bobagem = antipoesia = #@*

Quinta-feira, 11 de Setembro de 2008

Conversa fiada sobre uma amizade insólita

Josué Borges diz:

e aí rapa

Vitor Pinguim diz:

fala, bagodinho!

Josué Borges diz:

baum ou não

Vitor Pinguim diz:

tranks, e tu?

Josué Borges diz:

toaqui, em pé sem cair, cansado da rotina, com vontade de tomar fanta na garrafinha, como quando eu era criança, na época em que minhas diversões eletrónicas eram assistir chaves, caverna do dragão, he-man e tundercats

Josué Borges diz:

hoje nem pro banho eu vou sem meu celular, céus, já estou prevendo uma possível revolta dos i-pods contra os humanos

Vitor Pinguim diz:

hahahahahahhahahahahah... fanta eu não sei...mas parece q vc tomou uísque das garrafinhas..

Josué Borges diz:

estou um tanto saudosita hj, quando abri a janela do trabalho, veio o vento, veio o vento forte, e eu tive vontade de soltar pipas, igual eu fazia quando era criança, quando eu fazia minhas próprias pipas e subia o morro pra soltar pipa

Vitor Pinguim diz:

desculpa estragar seus sonhos..nunca gostei de pipa

Vitor Pinguim diz:

mas eu entendo o q vc quer dizer

Vitor Pinguim diz:

saudade do meu tempo jogando bola na rua depois da aula

Josué Borges diz:

eu gostava, de soltar pipa, de ver a pipa voando lá em cima, bem alto, soh via um pontozinho no alto

Josué Borges diz:

eu não gostava de jogar bola, minhas brincadeiras eram mais solitárias, tirando as de pique-esconde e coisas parecidas

Vitor Pinguim diz:

vc era autista, né

Vitor Pinguim diz:

eu sei

Josué Borges diz:

hoje tô saudosista pra caralho cara, uma saudade FILHA DA PUTA de tudo que eu fazia quando era criança

Josué Borges diz:

não, não era autista não, soh não gostava de jogar bola, nunca gostei de jogar bola, como a maioria dos moleques só gostava de jogar bola, eu fazia minhas brincadeiras sozinho mesmo

Vitor Pinguim diz:

olha, eu tava muito feliz com a minha vida adulta até vc aparecer...

Vitor Pinguim diz:

por favor, não estrague tudo

Josué Borges diz:

hahaahahahahaaaa, eu também sou feliz com minha vida adulta, so estou com saudade hj cara

Josué Borges diz:

e qual é, sua vida mudou depois que eu apareci, garanto que ficou bem melhor

Josué Borges diz:

e outra, quem disse que vc já tem vida adulta, tem o caralho rapaz, ainda nem saiu dos cueiros deireito

Vitor Pinguim diz:

ué... eu não pago todas as minhas contas nem lavo minha roupa...

Vitor Pinguim diz:

mas vc tb não! hahahahahahahahhahahaha

Josué Borges diz:

hahaaha, justamente, estou na pós-adolescencia e pré-adultice, já pago minhas contas, mas não lavo mais minha roupa, nem faço mais minha própria comida, é o bem (ou mau), de se voltar a morar na casa dos pais, vc trabalha o dia todo, quando chega em casa, todos ja comeram, a comida está pronta, então vc come

Vitor Pinguim diz:

pensa pelo lado bom: pelo menos agora a gnt faz sexo

Vitor Pinguim diz:

bem de vez em qdo, mas faz

Josué Borges diz:

quando vc chega em casa na terça-feira a tarde, depois do trabalho, sua roupa está toda lavada, e isso é diferente de quando a gente morava na AMEJ, que chegava em casa e tinha que lavar aquele monte de roupa, e depois pasar

Josué Borges diz:

é verdade, o sexo não existia, não existiu durante muito tempo, céus, oh céus! hoje ele existe, de vez em quando, mas existe, tem outras coisas também

Josué Borges diz:

será que crescer é só isso?

Vitor Pinguim diz:

o q? sexo?

Vitor Pinguim diz:

não, tb tem a carteira de motorista

Josué Borges diz:

não cara, essas coisas, sexo, bebida, pagar contas, trabalhar, ter responsabilidade, tirar carteira, comprar carro, manter a porra do carro, trabalhar, sabe, estudar, as vezes acho que gastamos o tempo todo trabalhando e estudando pra manter um monte de coisa que vai embora logo

Vitor Pinguim diz:

envelhecer é uma merda, josué

Josué Borges diz:

pensa bem, a gente rala né, pra levantar uma graninha e tudo, compra carro, bota tv por assinatura em casa, internet de alta velocidade, mas chega em casa depois do trabalho, e não tem ânimo pra curtir nada disso cara

Vitor Pinguim diz:

vc trabalha igual um escravo de segunda a sexta-feira pra descansar no sábado e domingo

Vitor Pinguim diz:

e o dinheiro que vc ganha vai pra sua sobrevivencia... a vida se resume a isso.. sobreviver

Josué Borges diz:

não to querendo estragar sua vida adulta não, nem tô querendo dizer que trabalhar e crescer seja ruim, não, não é ruim, o ruim é a maneira que isso vem pra gente, e a gente entra na jogada, sabe, deve haver outro jeito de lidar com isso, um jeito que dê prazer

Vitor Pinguim diz:

sim... comprar um trailler e rodar o mundo

Vitor Pinguim diz:

é meu plano de vida...

Josué Borges diz:

haa, boa, muito boa, pode ser uma solução

Vitor Pinguim diz:

só tô esperando descobrirem uma fórmula para encher o tanque com água

Josué Borges diz:

ainda que solução possa ser apenas um soluço grande

Vitor Pinguim diz:

hahahahahaha.. é vero

Josué Borges diz:

eu ainda me divirto sabe, descobrindo coisas interessantes, com olhar de estranhamento, de criança que tá vendo a coisa pela primeira vez

Vitor Pinguim diz:

mas a idéia do trailler realmente me assombra de vez em qdo

Vitor Pinguim diz:

acho q ainda vou bota-la em prática um dia...

Josué Borges diz:

ainda bem que existe música, que existe arte, sabe, pra gente ouvir, pra descarregar nosso espírito

Vitor Pinguim diz:

nem q seja no meu fusca

Josué Borges diz:

haha, eu acho que vou ter uma moto (até chegarem as crianças, pq aí vai ter que ser carro né)

Vitor Pinguim diz:

nada... nada que uma daquelas motos com carona lateral não resolvam

Josué Borges diz:

eh, mas aí, vc sabe né, eu serei o pai, minha mulher vai na garupa, e as crianças, ficarei com medo de que as crianças possam cair

Vitor Pinguim diz:

a gnt prega seus molekes com fita isolante no assento... não se preocupe

Josué Borges diz:

pode ser uma boa idéia, a la sr. simpson

Josué Borges diz:

e vc, jaá arranjou outro trabalho

Vitor Pinguim diz:

pois é, vou voltar lá pra agencia onde eu tava qdo saí pra ir pra rádio

Vitor Pinguim diz:

tive lá ontem e eles me aceitaram de volta

Josué Borges diz:

coisa boa, eu ainda tenho vinte dias aqui no meu, depois vou tentar algum aí, e isso me dá frio na barriga, de verdade, pq aí vai ser tudo escuro outra vez, mas a escuridão do casulo é o preço que a lagarta tem que pagar pra continuar né

Vitor Pinguim diz:

pois é... a aproximação com a miinha formatura me causa uma sensação igual

Vitor Pinguim diz:

mas no fim, tudo dá certo

Vitor Pinguim diz:

se não deu certo, é pq não chegou ao fim

Josué Borges diz:

nó,. na sua formatura eu estarei aí, que doido velho

Josué Borges diz:

se não der certo vou pro rio, mas isso é para os depois, bem depois, agora ainda estou aqui né, tenho que ir pra belorizonte primeiro

Vitor Pinguim diz:

bosta! é msm! vou ter q botar seu nome na lista de novo

Vitor Pinguim diz:

e tirar a gostosa do 302....

Josué Borges diz:

hahahaha, bosta não cara, vc ficou até excitado com a possibilidade da minha presença na sua formatura

Josué Borges diz:

velhinho, tá quase na minha hora, vou nessa

Vitor Pinguim diz:

tb tô de saída..tomar um banho e pegar um cinema

Vitor Pinguim diz:

bjos!

Josué Borges diz:

haha, tá bom, já que mandou beijos, já fique sabendo, resolvi colocar essa conversa no meu blog

Vitor Pinguim diz:

bom, então um bjo pra quem tiver lendo isso aqui tb!!!

Josué Borges diz:

falou velhinho, fica em paz aí cara.

Vitor Pinguim diz:

tu tb, brother!

Domingo, 22 de Junho de 2008

Educar o Olhar


A fotografia como metáfora para educação do olhar

Se tomarmos ao pé da letra o verbo “fotografar”, então teremos a atividade de escrever com a luz. Nesse sentido, a escrita com a luz pode ser considerada como uma metáfora oportuna e necessária para uma educação do olhar.

O que é o olhar humano senão um registro único, individual, portanto, impossível de se repetir, de tudo quanto é escrito pela luz. Como registro único do que se vê, o olhar é, indispensavelmente, interpretação, transformação e reescrita do que se vê, gratuitamente, em tudo que o mundo nos proporciona. Uma vez visto, registra-se na memória e nos sentidos de quem vê.

Da mesma maneira que o olhar humano registra individualmente o que se vê, também a fotografia faz seus registros particulares. Uma fotografia é, necessariamente, um registro individual, ou seja, a cena fotografada será sempre uma leitura daquele que fotografa. A foto, portanto, também é impossível de ser repetida (digo repetida, e não reproduzida), por quem quer que seja, nem mesmo aquele que fotografa. Uma fotografia é sempre um trabalho único.

O trabalho do fotógrafo, ou seja, daquele que escreve/registra através da luz, através de imagens, assemelha-se ao do escritor, que escreve por palavras. Ou seja, o escritor, antes de mais nada, olha, observa o mundo que o rodeia, ele sente e pensa as cores do mundo para que possa registrá-las, grafá-las através da linguagem escrita. Assim é o trabalho do artista, observar, olhar e sentir o mundo que o rodeia. Um poço de sensibilidade a transformar o mundo com impulsos poéticos.

Impulsos poéticos são raros no mundo em que vivemos. A fugacidade do mundo contemporâneo deseduca constantemente nossos sentidos. Mal vemos, mal comemos, mal conversamos, mal dormimos, ouvimos mal e mal fazemos amor poeticamente. Acostumados a correr, corremos sem perceber que corremos. Privamos nosso olhar e nossos demais sentidos da educação necessária do dia-a-dia.

Cidades e mundos modernos são mais que concreto e asfalto, buzina de auto-móvel e fumaça de óleo diesel. Devemos reeducar nosso olhar, ver alem do que se vê, ainda somos humanos, ainda que demasiadamente, seres inigualáveis. Ainda somos poetas. Constantes fazedores de imaginações, ainda somos inegáveis photóphilos, façamos poesias grafando nossas imagens.

Prof. Josué Borges



O texto e a foto são meus.


Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Ser e Tempo


Paciência

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não pára...

Enquanto o tempo
Acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora
Vou na valsa
A vida é tão rara...

Enquanto todo mundo
Espera a cura do mal
E a loucura finge
Que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência...

O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

Será que é tempo
Que lhe falta prá perceber?
Será que temos esse tempo
Prá perder?
E quem quer saber?
A vida é tão rara
Tão rara...

Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não pára
A vida não pára não...

A vida não pára!...
A vida é tão rara!...



Composição: Lenine e Dudu Falcão

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Criatividade comanda

Engenharia Química da UFBA: Pergunta feita por professo da matéria Termodinâmica, em sua prova final (esse professor é conhecido por fazer perguntas do tipo “Por que os aviões voam?” em suas provas finais.) Sua única questão, nessa prova, foi:

“O inferno é exotérmico ou endotérmico? Justifique sua resposta.”

Vários alunos justificaram suas opiniões baseadas na Lei de Boyle ou em alguma variante da mesma. Um aluno, entretanto, escreveu o seguinte:

“Primeiramente, postulemos que o inferno exista e que esse é o lugar para onde vão algumas almas. Agora postulemos que se as almas existem, elas devem ter alguma massa e ocupar algum volume. Então, um conjunto de almas também tem massa e também ocupa um certo volume. Assim, a que taxa as almas estão se movendo para fora e a que taxa elas estão se movendo para dentro do inferno? Podemos assumir seguramente que, uma vez que uma alma entra no inferno, ela nunca mais sai de lá. Por isso não há almas saindo. Para as almas que entram no inferno, vamos dar uma olhada nas diferentes religiões que existem no mundo e no que pregam algumas delas hoje em dia. Algumas dessas religiões pregam que se você não pertencer a ela, você vai para o inferno... Se você descumprir algum dos 10 mandamentos ou se desagradar a Deus, você vai para o inferno. Como há mais de uma religião desse tipo e as pessoas não possuem duas religiões, podemos projetar que todas as almas vão para o inferno.

A experiência mostra que pouca gente respeita os 10 mandamentos. Com as taxas de natalidade e mortalidade do jeito que estão, podemos esperar um crescimento exponencial das almas no inferno. Agora vamos olhar a taxa de mudança de volume no inferno. A Lei de Boyle diz que para a temperatura e a pressão no inferno serem as mesmas, a relação entre a massa das almas e o volume do inferno deve ser constante. Existem, então, duas opções: 1) Se o inferno se expandir numa taxa menor do que a taxa com que as almas entram, então a temperatura e a pressão no inferno vão aumentar até ele explodir, portanto EXOTÉRMICO. 2) Se o inferno estiver se expandindo numa taxa maior do que a entrada de almas, então a temperatura e a pressão irão baixar até que o inferno se congele, portanto, ENDOTÉRMICO. Se nós aceitarmos o que a menina mais gostosa da UFBA me disse, no primeiro ano: “Só irei pra cama com você no dia que o inferno congelar”, e levando-se em conta que AINDA NÃO obtive sucesso na tentativa de ter relações amorosas com ela, então a opção 2 não é verdadeira. Por isso, o inferno é exotérmico.

O aluno tirou 10 na prova.

Moral da história:

“A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original.” (Albert Einstein)

“A imaginação é muito mais importante que o conhecimento.” (Albert Einstein)

“Um raciocínio lógico leva você de A a B. A imaginação leva você a qualquer lugar que você quiser.”(Albert Einstein)

Quinta-feira, 1 de Maio de 2008

Como eu queria

Wish You Were Here

Pink Floyd

Composição: Roger Waters e David Gilmour

So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?

Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?

How I wish, how I wish you were here
We're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here


Wish You Were Here


Então, então você acha
que consegue distinguir
O céu do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir
um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?

Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?

Como eu queria
Como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Todos são o que são

TODOS

Todas as pessoas são pessoas

Todos os bichos são bichos

Todas as pedras são pedras

Todos os insetos são insetos

Todas as camas são camas

Todas as portas são portas

Todas as casas são casas

Todos os ventos são ventos

Todas as comidas são comidas

Todos os lugares são lugares

Todos vocês são vocês

Todas as manhãs são manhãs

Todas as paredes são paredes

Todas as escadas são degraus

Todas as vozes são vocais

Todo amanhã vem depois

Todas as coisas são coisas

Todo desejo é insólito

Todo todo é todo

Toda parte é parte

Todo sim pode ser não

Todo não pode ser sim

Todo mundo é ninguém

Todo mundo é parte

Todo mundo está aí

Toda voz é um som

Todo som é ouvido

Todo escuro é escuro

Todo silêncio é calado

Toda vez é talvez

Toda terra e mar

Todo mar e terra

Todos eles são eles

Todo amor é sagrado

Toda dor é sagrada

Toda paixão é sagrada

Todo aqui é lugar

Todo aqui é tempo

Todo ontem já foi

Todo hoje ainda é

Todas as pessoas são elas

Todas elas são pessoas

Todo silêncio é sagrado

Toda voz é sagrada

Todo canto é sagrado

Toda lágrima é sagrada

Todo pecado é sagrado

Todo pecado é pecado

Todo pecado é

Toda carne é sagrada

Toda alma é

Todo querer é

Todo é

Todas as mulheres são mulheres

Todos os homens são homens

Todos os filhos são filhos

Todos os pais são pais

Todas as mães são mães

Toda vida é vida

Todo céu é um teto

Todo chão é um

Todas as vezes são paixões

Todas as paixões são

Todos os amores são

Todos os desejos são

Todos são todos todos

Toda nudez é

Toda vez é

Todos vocês são

Todas as coisas

Todo o universo é

Todo amor

Todo o universo é

Toda a dor

Todas as vezes eu fala

Todas as vezes me calo

Todas as vezes eu amo

Todas as pessoas são pessoas

Todas as palavras são palavras

Todas as palavras são coisas

Todas as coisas são

Todas as manhãs são palavras

Todos os escuros são noites

Todas as noites são estrelas

Todas as estrelas são

Todas as dores são sagradas

Todas as paixões são sagradas

Todos os desejos são sagrados

Todos os amores são sagrados

Todos são o que são.

Josué Borges – Presidente Olegário, 28 de abril de 2008.